quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Sobre | Dom Casmurro de Machado de Assis



Não posso generalizar, mas acho que posso arriscar dizer que muitas pessoas, talvez a maioria delas, têm certo receio quando se fala sobre ler os tão temidos clássicos.
Os possíveis motivos desse receio e a “discussão” sobre o assunto ficarão para outro post, porque o que realmente quero dizer é que li Dom Casmurro e adorei a experiência!
A obra conta a história do próprio narrador, um jovem chamado Bento Santiago.

“Cheguei a ter ciúme de tudo e todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem, moço ou maduro, me enchia de terror ou desconfiança.” Cap. CXIII

Durante a narrativa vamos conhecendo inúmeros acontecimentos de sua vida, da infância a vida adulta, e ficamos sabendo que Bentinho, como era chamado pelos mais chegados, tinha uma vizinha e amiga chamada Capitolina, mais conhecida por todos como Capitu.

“Capitu era Capitu, isto é, uma criatura muito particular, mais mulher do que eu era homem. Se ainda não o disse, aí fica. Se disse, fica também.” Cap. XXXI

Os dois, durante sua infância e adolescência, desenvolvem um amor que é interrompido quando Bentinho é obrigado a ir para o seminário para cumprir uma promessa feita pela sua mãe. Lá, ele conhece Escobar, o jovem que se tornaria seu melhor amigo.

“Escobar também se me fez mais pegado ao coração. As nossas visitas foram-se tornando mais próximas, e as nossas conversações mais íntimas.” Cap. CVII

Capitu espera a saída de Bentinho do seminário e, já que ele não se torna padre, mais tarde aquele amor da infância os leva a se casarem e formarem família. Mas o mais intrigante da história toda é que depois de um tempo casados Bentinho acaba acusando sua esposa de adultério.
E aí, em meio aos detalhes todos que você só saberá lendo o livro, a tão conhecida dúvida paira no ar...: Será mesmo que Capitu traiu Bentinho?
O mais interessante é que o leitor não consegue dizer ao certo se isso ocorreu ou não, pois os indícios que se encontram na narrativa são, na verdade, opiniões, sentimentos e impressões do narrador que, no caso, é o próprio Bentinho.

“Capitu, apesar daqueles olhos que o Diabo lhe deu...Você já reparou nos olhos dela? São assim de cigana oblíqua e dissimulada.” Cap. II

O narrador frequentemente fala com o leitor atentando para alguma parte da narrativa. Esse é um recurso muito legal e interessante porque é como se o personagem falasse com você. Dá para se sentir dentro da história.

“Há conceitos que se devem incutir na alma do leitor, à força de repetição.” Cap. XXXI

A linguagem é um tanto rebuscada, digamos assim, por se tratar de um livro escrito em 1900, mas ainda assim isso não me atrapalhou a leitura, ou me fez querer desistir dela. Esta se dá tranquilamente, com exceção talvez de algum vocabulário que o leitor possa não entender. Aí, é só recorrer ao dicionário e ser feliz!

Não há como negar o quão brilhante e bem escrito o livro é.  Toda essa dúvida em torno do suposto adultério faz com que continuemos pensando na história até bem depois do término do livro. 

Obra: Dom Casmurro
Autor: Machado de Assis
Nota: *****

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