sábado, 2 de maio de 2015

Caio Fernando Abreu - Cartas | Comentário


Organização de Italo Moriconi
Editora Aeroplano - 2002

    Como o próprio nome já diz, este livro é um conjunto de cartas escritas pelo escritor Caio Fernando Abreu para amigos, conhecidos e familiares entre 1979 e 1996.
Ele é dividido em duas partes. Na primeira parte há cartas escritas entre os anos 80 e 90, e na segunda, cartas escritas da sua adolescência até o final da década de 70.
O prefácio é escrito pelo diretor de teatro e grande amigo de Caio, Luciano Alabarse e a introdução é de Italo Moriconi
    O interessante de ler correspondências de um autor que se gosta é poder conhecê-lo mais a fundo. Saber de seus desejos, seus sonhos, suas frustrações, seus sentimentos... e, lendo as cartas do Caio eu pude me apaixonar um pouco mais por ele justamente por isso.
Cada carta é uma demonstração de amor à vida, à literatura, à música, ao teatro, à família, às amizades. Ele mesmo dizia que era uma pessoa tímida e que falava mais escrevendo. E de fato ele escrevia muito. 
    Outro ponto interessante nas cartas do Caio é que podemos ter uma ideia de como era o cenário do país naquela época.  Tanto na política quanto na literatura, etc.
Podemos encontrar também, muito do comportamento e da personalidade do Caio. E isso foi fascinante. Tive (ainda mais) vontade de tê-lo conhecido depois que terminei o livro. Suas cartas são cheias de poesia. Pelo jeito de “falar”apenas...imagino que seja um dom.
    Muito culto, em suas cartas ele faz referência a muitas músicas, peças de teatro e filmes, livros e autores. Eu, que adoro referências, grifei várias delas. Era também uma pessoa divertida, fazia uso de várias gírias quando falava com amigos. Dava também muitos conselhos, conversava muito. E algo que me comoveu foi a forma como tratava seus amigos. Sempre com muito cuidado, amor e carinho. Terminava cada carta declarando esse amor.Tinha também seu lado escuro. Ficava triste, chorava muito, brigava... Amou muito e sofreu bastante em consequência dissoExperimentou drogas, viajou muito. Nasceu em Santiago do Boqueirão, mas quis ganhar o mundo e morou no Rio e em São Paulo. Era meio nômade. Morreu aos 47 anos, infectado pelo vírus HIV em fevereiro de 1996. Deixou saudades.
    Se você não conhece o autor ou conhece pouco, leia para conhecer e, quem sabe, se encantar. Se conhece e gosta, leia, pois é imperdível! Ele despertou sentimentos muito genuínos e bonitos em mim. Espero que faça o mesmo por você!





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