quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Comentário | A menina que roubava livros - Marcus Zusak



    
Foto: Acervo pessoal

    
    Demorei muito tempo para ler este livro, não sei dizer o porquê. Às vezes a gente acaba deixando coisas que estamos interessados para depois. Não faz muito sentido, mas também não é incomum isso acontecer com leitores em geral.
Então, finalmente eu li e me apaixonei.
    A Morte conta a história de Liesel Meminger, uma garotinha de 9 anos de idade que é levada pela sua mãe até a cidade de Molching, onde vai morar na casa de Hans e Rosa Hubermann, na Alemanha nazista de 1939. Na estação de trem, Liesel rouba seu primeiro livro.
Esta história é magnífica! Acredito que só lendo o livro para entender toda a sua magnitude, mas o que me chamou a atenção primeiramente foi o fato da Morte contar a história. Essa personificação da morte deu um tom muito interessante à narrativa, porque além de inusitada ela conversa com o leitor o tempo todo.

“EIS UM PEQUENO FATO
Você vai morrer.
...

“REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO
Isso preocupa você?
Insisto – não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.”

    Gostei também da construção da narrativa e do estilo do escritor. Não apenas pelo fato da Morte falar com o leitor, mas o fato de que a escrita é bastante poética, a forma como o livro foi escrito deixa uma sensação boa em quem lê, apesar da história triste.

“Ela era a roubadora de livros que não tinha palavras.
Mas, acredite, as palavras estavam a caminho, e quando chegassem Liesel as seguraria nas mãos feito nuvens, e as torceria feito chuva.”

    Outro ponto importante que observei durante a leitura, e que não poderia ser deixado de lado, é a óbvia relação da protagonista com os livros.
Acho que qualquer leitor gosta de ler histórias sobre outros leitores e sobre livros. E, este livro em especial, faz com que o leitor se encante com cada citação de palavras alemãs e seus significados, com cada roubo de livro executado pela Liesel e o que aquilo significa pra ela e por cada aprendizado dela. E, claro, como a Morte mesmo diz no livro:

“Ela era uma menina.
Na Alemanha nazista.
Como era apropriado que descobrisse o poder das palavras!”

    É muito bonito, ao menos para quem gosta de ler, perceber e atestar através de uma história como essa, a importância das palavras. Ver, por exemplo, como uma pessoa pode, através de seus discursos, através das suas palavras, persuadir muitas pessoas a fazer a sua vontade.
A relação da Liesel, principalmente com o seu pai adotivo, Hans Hubermann, é linda e comovente. Os dois são pessoas meigas e amorosas que, aos poucos, vão se aproximando e constroem a relação mais bonita do livro.
    A questão da guerra é abordada no livro de maneira real, digamos assim. De maneira aproximada, pois há personagens que vão à guerra e a guerra chega até Molching. Então, mais para final do livro, a história pesa e quando o leitor começa a ver as imagens na cabeça e a se colocar no lugar das pessoas que estão passando por aquela situação “o bicho pega”. Pelo menos para mim, pegou. A história toda é melancólica porque desde o início você sabe que coisas ruins acontecerão, mas quando elas de fato acontecem, ainda assim, a gente percebe que não estava preparado.

“Por favor, acredite quando lhe digo que, naquele dia, peguei cada alma como se fosse um recém-nascido. Cheguei até a beijar alguns rostos exaustos, envenenados. Ouvi seus últimos gritos entrecortados. Suas palavras evanescentes. Observei suas visões de amor e os libertei de seu medo.”

A menina que roubava livros foi uma leitura 5 estrelas. Vale a pena ser lida porque além de uma história bonita, ela é bem contada, emocionante, fala de algo que realmente acontece e te acrescentará muito, com certeza!

“Os seres humanos me assombram.”

FIM


2 comentários:

  1. Van, admiro a forma como você interpreta uma obra; de forma intrínseca você traz a riqueza de cada personagem e os detalhes que o envolve e vai ainda mais longe, trazendo detalhes pouco observados por leitores menos comprometidos... você sabe contagiar os apenas "curiosos". Parabéns, esse é o caminho! Sou sua fã. Beijão meu amor.

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  2. Oi Vanessa,
    Bom, comecei a ler esse livro mais parei, tentei mais umas três vezes e não consigo terminar (vergonha de mim mesmo), mais nesses tempos para cá me deu uma vontade louca de terminar de ler ele, mais ainda não da por que estou lendo A Última Música e tal... Mais pretendo ler em breve..
    Depois que li o seu comentário fiquei com mais vontade de ler, adorei seu comentário ♥ Seu blog e d+
    Beijos

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