quarta-feira, 18 de junho de 2014

Sobre "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

À frente o livro, atrás meu caderninho de anotações.
 O livro se inicia com a morte de Ivan. O falecimento ocorre em 4 de fevereiro de 1882. A notícia de sua morte é dada por um colega de trabalho que lê sobre ela no jornal e a comunica aos colegas. O primeiro pensamento deles é sobre quem irá substituir Ivan, quem irá ficar com o seu cargo. Depois de dada a noticia, um dos amigos de Ivan, Piotr, vai ao velório na casa do próprio Ivan, conversa com a viúva dele, Praskóvia, fica um pouco e logo vai embora jogar uíste.
Depois desta parte a história segue mais ou menos como um flashback da vida de Ivan.
Ivan teve uma vida comum, ele era o segundo de três filhos, era "inteligente, vivo, agradável e decente". Cursou direito junto com o irmão mais novo, este foi expulso, já Ivan terminou os estudos brilhantemente. Depois seu pai conseguiu para ele um serviço público e o apresentou a este mundo, no qual permaneceu.
Desde novo Ivan sentia atração pela alta sociedade. Pelas pessoas, as suas maneiras e seu estilo de vida. Ele às vezes até agia mal e reconhecia isso, mas percebendo que as pessoas às quais ele se espelhava não davam atenção a essas ações, esquecia-se delas.


Ele casou-se com Praskóvia Fiódorovna, não por amor, mas por conveniência. Ela não era feia e gostava dele, então, porque não?! Nos primeiros anos de casamento tudo correu bem, mas, depois de um tempo a mulher começou a ficar insuportável. A gota d'agua foi uma briga que eles tiveram fora algumas complicações com o nascimento da filha. A família o aborrecia. E a partir daí Ivan decide se afastar dela.
Daí pra frente as coisas continuam às vezes bem, às vezes mal, mas a vida prossegue.


Depois de mudarem-se para uma nova casa, durante a arrumação das coisas, Ivan sobe numa escada, tropeça e cai. Ele cai de lado e machuca-se com uma moldura de quadro, mas como dói e passa rapidamente, ele não dá atenção ao ocorrido. Porém, depois de um tempo Ivan começa a sentir um gosto estranho na boca e sensações desagradáveis do lado esquerdo do estômago. Estas sensações vão se transformando em irritação e em pouco tempo Ivan fica doente. Ele vai ao médico, mas este não lhe diz nada conclusivo. Vai à mais um médico e nada. E a angustia de Ivan vai aumentando. Depois de um tempo ele só consegue pensar na doença. E piora tanto que passa a ficar em casa sem poder ir trabalhar.


Assim o tempo vai passando. Ivan continua piorando até que, quando a doença já está bem avançada, ele sabe que vai morrer. Ele já não levanta mais da cama e sofre com dores o tempo todo. A partir daí começa a preocupação de Ivan com a morte. Há partes em que há até um tipo de personificação da morte.

Ele sente falta de alguém que o compreenda e que tenha pena dele. E ao seu ver ninguém o compreende, pelo contrário, todos querem somente se ver livres de Ivan para poderem viver suas vidas. O que mais irrita Ivan e também seu maior sofrimento, é a mentira que todos fingem acreditar, a de que ele está apenas doente e não morrendo. Ele sabe que está morrendo e não vê em ninguém da própria família um conforto neste momento de sofrimento. A única pessoa que o faz se sentir melhor é o copeiro Guerássim, que humildemente não se importa em segurar os pés do patrão no alto para aliviá-lo da dor e conversa com ele. Este apesar de forte e cheio de vida (ao contrário de Ivan), não o ofende como as outras pessoas o fazem, ele o acalma. Guerássim é o único que o compreende, o ajuda e o faz se sentir bem.


Assim que Ivan percebe, apesar de não aceitar no início, que vai morrer ele desespera-se. E começa a pensar a respeito da morte, do sofrimento dele e quer entender a razão de tudo aquilo estar acontecendo com ele. E aí ele começa a pensar que talvez ele não tenha vivido da forma que deveria, apesar de pensar a vida inteira que era o que estava fazendo. E isto, acredito eu, é o que não o deixa descansar. Enquanto ele está lutando contra esta ideia, ele permanece no sofrimento, mas, quando ele aceita que realmente não viveu o seu lema de vida leve, agradável e decente, mas que ainda pode consertar isto, ele se liberta e morre em paz.

           
  Apesar de ser muito triste eu adorei o livro! O começo é tranqüilo, mas depois que o Ivan fica doente o livro fica mais pesado. Você acompanha as suas frustrações, as suas dúvidas, os seus medos, as suas dores...E mesmo que, como eu, você chegue à conclusão que na verdade ele contribuiu um pouco para parte de seu sofrimento (não com relação à doença, e sim à ausência da família) você fica triste e sofre junto com a personagem.
Quanto à ausência da família eu concluí que a culpa do Ivan é porque ele já começou a construir sua família de forma errada. Ele não se casou por amar a esposa, ele teve mais de um filho a quem só deu o que o dinheiro podia comprar, conforto, estudos, mas não lhes deu amor, nem aos filhos e nem à mulher. Você percebe no decorrer da narrativa que ele não tinha paciência alguma com a família e queria que tudo fosse do jeito dele. Tanto é que ele decide se afastar da vida familiar e se dedicar somente ao que ele realmente amava: o trabalho. Ele claramente viveu de acordo com o seu lema e de acordo com o que a alta sociedade achava que era como se devia viver, mas, nunca parou para pensar que isso talvez o prejudicasse no futuro. O que acabou acontecendo. No fim de sua vida, ironicamente, a única pessoa com quem ele podia realmente contar era uma pessoa forte e cheia de vida como ele foi, mas também humilde e de bom coração. Coisa que ele só fingiu ser durante toda a vida. 


Título: A Morte de Ivan Ilitch   
Autor: Leon Tolstoi
Editora: Ediouro
Páginas: 114


















Um comentário:

  1. Oi Vanessa! Sempre tive interesse nas obras de Tolstoi, mas também sempre ouvi falar que é bem cansativo, é verdade? Adorei a resenha, pois sou fã dos clássicos *-*

    Beijos
    http://vicioseliteratura.blogspot.com.br/

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