domingo, 22 de setembro de 2013

Resenha: Comprometida, Uma história de amor de Elizabeth Gilbert

Título: Comprometida, Uma história de amor
Autor: Elizabeth Gilbert
Editora: Objetiva
Páginas: 236
Gênero: Memórias/Romance



Comprometida, Uma história de amor me surpreendeu, de certa forma, porque ao ver o título confesso que logo imaginei simplesmente uma história do que Elizabeth encontrou depois de Comer, Rezar, Amar, o que ela encontrou depois do casamento. Mas o livro é bem mais que isso. Pra quem não se lembra, ou não leu o livro, em Comer, Rezar, Amar Elizabeth conta sobre como a sua passagem por três países (Itália, Índia e Indonésia) a ajudou a encontrar o equilíbrio, e a reencontrar o amor. Já em Comprometida ela conta a trajetória que ela e seu namorado Felipe percorreram até que conseguissem se casar. Ou seja, o livro não conta sobre o que ocorreu depois do casamento e sim o que ocorreu antes do casamento.
Os dois passaram por divórcios dolorosos e complicados e, por isso, não tem a menor vontade de ser casar. Mas um belo dia ao tentarem entrar nos Estados Unidos, Felipe é barrado e tem o seu visto confiscado pelas autoridades do país. Depois disso, eles ficam sabendo que só poderão ficar juntos nos Estados Unidos se se casarem. A partir daí começa a história.
Por que foi tão complicado, como foi, por onde passaram, todos os seus pensamentos, dúvidas, medos...etc. é o que Liz conta neste livro. E ela faz isso mesclando memórias, relatos de outras pessoas que conheceu durante viagens e pessoas que já conhecia, e um estudo que ela mesma fez sobre casamento com o objetivo de responder algumas de suas dúvidas e de fazer as pazes com o matrimônio.
A narrativa é leve, interessante e muito agradável de ler. As partes do estudo feito por Liz aparecem de forma simples e nada entediante, pois é ela mesma quem conta os dados históricos e as pesquisas sobre casamento. E, claro, o livro tem uma pitada daquele romance de que gostamos. Eu nem diria que o livro é um romance no sentido romântico da palavra. Acho que o romance entra neste livro pela forma característica da escrita da autora e pelo carinho com que ela descreve as pessoas e as situações. Nem preciso dizer que amo o estilo de escrita dela, né?!
A divisão do livro é em 8 capítulos. Sempre falando de casamento e mais algum assunto. Por exemplo, o primeiro capítulo se chama: Casamento e surpresas, o segundo: Casamento e expectativas e assim por diante. Em cada início de capítulo há uma frase sobre casamento na primeira folha. Eu particularmente adoro citações feitas dessa maneira e achei essa divisão por assunto muito interessante e criativa. Além disso, gosto de pegar dicas de outros livros interessantes por meio dos que leio.
O livro é cheio de pensamentos e dados interessantes, além de boas histórias e leva a muita reflexão. Eu mesma pensei bastante sobre o assunto e descobri muitas coisas que não sabia. Recomendo muito pra quem pensa em se casar, pra quem não pensa e pra quem já é casado também! Com certeza de alguma forma a leitura desde livro irá ajudar. Se não te ajudar a pensar no casamento de forma a te fazer decidir seu futuro, irá te informar e te encantar!


Classificação: * * * * *

Trechos da Obra

“Portanto, não, não me disponho – ou talvez nem possa – a abrir mão da minha vida de anseios individualistas, todos os direitos de nascença da minha modernidade. Como a maioria dos seres humanos, depois de me mostrarem opções vou sempre preferir ter escolha na vida: escolhas expressivas, individualistas, inescrutáveis e indefensáveis, às vezes talvez arriscadas...mas todas minhas.” Pág. 50/51

“Em consequência dessa liberdade pessoal, a minha vida me pertence e se parece comigo.” Pág. 51

“Não consigo me forçar a adotar como lema oficial ‘Queira menos!’.” Pág. 52

“Reconheço que os conservadores temem que os homossexuais destruam e corrompam a instituição do casamento, mas talvez devessem pensar na outra possibilidade de que os casais gays, na verdade, neste momento da historia, estejam em condições de salvar o casamento. Pensem só! O casamento está em declínio por toda a parte, em todo o mundo ocidental. Todos estão se casando mais tarde, quando se casam, ou produzem filhos a contragosto, fora do casamento, ou (como eu) abordam a instituição como um todo com ambivalência e até hostilidade. Não confiamos mais no casamento, muitos de nós, héteros. Não o entendemos. Não estamos nada convencidos de que precisamos dele.” Pág. 74

“às vezes a vida é dura demais para ficar sozinho, e às vezes a vida é boa demais para ficar sozinho.” Pág. 78

“Mas admito que sempre há a possibilidade de outro divórcio, exatamente porque amo Felipe e porque as uniões baseadas no amor são laços estranhamente frágeis. Veja bem, não estou desistindo do amor. Ainda acredito nele. Mas talvez seja esse o problema. Talvez o divórcio seja o imposto que pagamos coletivamente, enquanto cultura, por ousarmos no amor – ou, pelo menos, por ligarmos o amor a um contrato social tão fundamental quanto o matrimônio. Talvez, afinal de contas, amor e casamento não devam andar juntos como o cavalo e a carroça. Pode ser que o amor e o divórcio é que andem juntos...como a carroça e o cavalo.” Pág. 80

“Exatamente porque o coração humano e tão misterioso (‘tamanho tecido de paradoxos’, como descreveu lindamente o cientista vitoriano Sir Henry Finck), o amor transforma todos os nossos planos e intenções num imenso jogo. Talvez a única diferença entre o primeiro e o segundo casamentos seja que, da segunda vez, pelos menos sabemos que estamos jogando.” Pág. 80

“Os votos que fazemos no dia do casamento são um esforço nobre para camuflar essa fragilidade, para nos convencer de que, na verdade, o que Deus Todo-Poderoso uniu, nenhum homem pode separar, Mas, infelizmente, não é Deus Todo-poderoso que faz aqueles votos nupciais; é o homem (nada-poderoso), e o homem sempre pode descumprir um juramento.” Pág. 81

“é delicado esse funcionamento da opressão mútua, silenciosa, quase de veludo. Por respeito, temos de aprender a liberar e confinar um ao outro com o máximo cuidado, mas nunca, nem por um momento, devemos fingir que não estamos confinados.” Pág. 191


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