sábado, 25 de maio de 2013

Resenha: Amar, Verbo Intransitivo - Mário de Andrade

Título: Amar, Verbo Intransitivo
Autor: Mário de Andrade
Editora: Villa Rica
Páginas: 155 
Gênero: Romance



 Sinopse: Escrito um ano antes de Macunaíma, este idílio - definição do autor - mostra o drama de Carlos, jovem burguês, e de Elza, professora de alemão e pretensa iniciadora do menino na vida sexual. A hipocrisia da sociedade paulistana do início do século serve de pano de fundo para esta história (de amor?). 
Fonte: Skoob

    Amar, Verbo Intransitivo conta a história de Elza, uma alemã de 35 anos que entra na casa da família Souza Costa como governanta.
Fräulein, como é chamada por todos, ensina alemão e piano para as crianças da casa. Porém, para Carlos, o filho adolescente, ela é, além de professora de alemão e piano, professora de amar. O senhor Souza Costa contrata Fräulein para iniciar a vida sexual de Carlos, com medo de que o filho possa vir a fazer isso na rua.
    A história se desenrola com o dia-a-dia da família e as lições das crianças. Carlos, no início não se interessa por Fräulein, mas com o tempo acaba se sentindo atraído por ela e os dois vivem um romance.
    Por fim, Fräulein tem que ir embora, então o senhor Souza Costa flagra Carlos no quarto dela e passa um sermão nele, fazendo com que ele se sinta mal, pensando que está errado. Então Fräulein vai embora e deixa um Carlos apaixonado e devastado.
Depois de certo tempo, Carlos e Fräulein se encontram e Carlos está bem melhor. Ele lhe acena com a cabeça e ela, por um momento, se ofende com isso. Depois se convence de que é melhor assim e torce pela felicidade de Carlos.
    Confesso que fiquei com uma certa ressaca desse livro porque primeiramente, não havia entendido muito bem a tal intransitividade do verbo amar...o porquê desse título. Depois porque senti que o final não foi na verdade o fim. Parecia que faltava alguma coisa...que faltava um desfecho. Então fiquei muito inquieta até conversar com alguém que leu o livro. Depois disso consegui, de certa forma, aceitar o fim.
     Ao meu ver, a intransitividade está na vontade de Fräulein de permanecer forte e negar que sente algo pelo Carlos. Ela acredita muito nessa força, ela tem essa crença de que é superior e de que não pode fraquejar momento algum. Mas, depois de ter tido aquela conversa sobre o livro eu percebi que o título na verdade brinca justamente com essa crença da Fräulein. Porque ela acaba fraquejando sim. Ela que deveria simplesmente ensiná-lo a amar acaba se apaixonando por ele. Ele, por sua vez, se apaixona, mas se recupera depois da sua partida. E ela, apesar de estar trabalhando em outra casa, com outra família continua apaixonada por ele.
    Gostei muito de ter conseguido chegar a essa conclusão. Mas ainda assim fiquei com a sensação de que faltava alguma coisa.
     O livro não me encantou, e a leitura foi um pouco arrastada, pois havia momentos em que eu me cansava, mas eu queria muito saber do romance da Fräulein e do Carlos, então eu fiquei firme e fui até o fim. Houve algumas partes que ficaram meio confusas pra mim, então talvez eu tenha que reler o livro daqui a algum tempo, mas não sei se a minha opinião mudaria. Acho que só relendo pra saber. O livro não é dividido em capítulos, e o narrador está sempre conversando com o leitor. Nada disso atrapalhou a leitura, o que atrapalhou foi mesmo o conteúdo, em algumas partes.
    Bom, pra quem tem curiosidade de ler o livro eu acredito que deva ler, apesar de eu não ter gostado tanto quanto eu esperava. E depois que ler, venha comentá-lo aqui, pra conversarmos sobre.


Trechos da obra:

"Estava muito pouco fraulein no momento. Porque fraulein, a Elza que principiou este idílio era uma mulher feita que nao estava disposta a sofrer. E a fraulein deste minuto é uma mulher desfeita, uma fraulein que sofre. Fraulein sofre. E porque sofre, está além de fraulein, além de alemã: é um pequenino ser humano."

"A doentinha redorme encorajada. Quando acordar trará forças novas. Que coisa misteriosa o sono!... Só aproxima a gente da morte para estabelecer melhor dentro da vida..."

"Carlos carecia de reconhecer que no amor, sem sacrifício mútuo não tem felicidade nem paz, não é?"

Obrigada!
Beijos,





3 comentários:

  1. ""A doentinha redorme encorajada. Quando acordar trará forças novas. Que coisa misteriosa o sono!... Só aproxima a gente da morte para estabelecer melhor dentro da vida...""....oh vida...preciso me lembrar mais disso...rs...como escreve bem, que orgulho!

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    1. Linda :) Obrigada! Citações mara, né?!
      Beijo!

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